Rosa Barreiros

Rosa Barreiros vive e trabalha em São Paulo. Este ano, em setembro e outubro, foi selecionada para fazer uma residência artística em Vermont, EUA, de 8 semanas com uma semana em Nova York ,com visitas culturais a museus e ateliers de artistas.

Principais exposições individuais: 2009 “Piscinas”, Galeria Municipal de Camburiu, SC; 2008 “Reflexões Contemporâneas”, Museu de Arte Contemporânea de Botucatu, SP.Principais exposições coletivas: 2011 “Programa de exposições”, Museu de Arte de Ribeirão Preto – MARP, Brasil e “5a. Bienal de Gravura de Atibaia”; 2010 “Salão de Artes São José do Rio Preto” e “Anuário do Embu Das Artes”; 2009 “37º Salão de Arte Contemporânea de Santo André”

As pinturas de Rosa sugerem um filme. Você pode projetar-se nas imagens e assistir o desenrolar de uma narrativa enquadrada nas telas em pinceladas rápidas, como apontamentos. O roteiro se desenvolve sob uma paleta contemplativa. Eu diria que as imagens incitam lembranças de dramas humanos que se sucedem sob uma dissimulada apatia. Cada imagem esconde e, ao mesmo tempo, revela. O que vemos são cinzas inspirados e musicais, cores sutis, calmas e pacíficas. No entanto, sob esta teatral serenidade técnica reside um profundo contraste entre o real e suas crises. As telas são fortemente emocionais.  “Eu e minha mãe”;  o título descritivo revela alegrias, angústias e incertezas.

As pinturas podem ser “ouvidas” como relatos pessoais e queixas. Geram uma sucessão de sinestesias e alimentam uma trilha “sonora”. Os valores monocromáticos,  do cinza ao preto, rasgam a tela ao meio, levantando  perguntas sem respostas.

Pouca tinta, gestos rápidos, pinceladas largas e fundos de tela aparentes somam-se ao aniquilamento do eu e à relutância dos encontros. Ruas, casas, jardins de cimento, animais e retratos se desdobram em sutilezas que são o epílogo de violências cotidianas. Murmúrios dolorosos e ensimesmados ecoam em gestos e cores; ocres transparentes surgem  e iluminam figuras, entre  inúmeras variações de rosa e azuis em transparências que recortam perspectivas incompletas.

Eu diria que nos trabalhos ecoam sons e poesia. Sob o silêncio aparente ouve-se Pink Floyd –  Another Brick in the Wall. “Jardim de cimento”; pintura cinza prata, bem clara – na descrição da própria artista e “Ruas de Londres”, são imagens que se intercomunicam e repassam a memória tensa dos anos vividos na Inglaterra.

Os textos colocados ao lado das imagens sugerem doloridas situações vividas e confessadas sob o ritmo suave das cores. E, no entanto, através da delicadeza da paleta brotam inconscientes gritos silenciosos.  Eu diria que toda esta suavidade tenta ocultar as dores que queimam sob a elegância e tranquilidade dos gestos sobre a tela.

A arte de Rosa Barreiros firma-se como um protesto contra a hipocrisia dos relacionamentos humanos, é liberta das amarras racionalistas e  coloca-se como expressão de vida.

Rio de Janeiro, 23 de agosto de 2010.

Noemi Ribeiro

Gravadora e Historiadora da Arte.

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