Rafael Santacosta | over_witty

 

Fotografias Ivan Padovani

 

A construção e a matéria

A fatura das obras de Rafael Santacosta ocorre através da articulação da matéria a partir de suas especificidades. O procedimento utilizado pelo artista se vale da junção de artefatos e materiais diversos, com o intuito de criar tensão pelo modo como se relacionam.

O ponto de partida de sua pesquisa mais recente ocorreu por meio da união de aparatos que recebia através de doações ou que eram coletados na rua, e que o estimularam a expandir seu olhar para novos meios de criar, utilizando também itens novos e comprados. O resultado das ações de Santacosta têm graça e humor, e seus títulos sugerem uma narrativa cômica, desenvolvida através do arranjo e da história desses componentes, que são em sua maioria, próprios da construção civil.

As estruturas se configuram em uma lógica entre a pintura e o objeto. O aspecto pictórico está principalmente no rastro do gesto, no manipular da matéria, e na cor ácida das tintas; o caráter objetual é o que decorre da soma de elementos, rígidos ou informes, que são posicionados no chão ou na parede. Muitos deles são apresentados em sua forma crua, evidenciando suas propriedades como peso, forma e superfície. Sua volumetria ora é bruta e pesada, ora é leve e instável, o que evidencia a potência do trabalho que também se apresenta nesses apontamentos dicotômicos entre força e fragilidade.

Os materiais apropriados, mesmo sendo facilmente identificáveis, perdem sua função inicial e passam a atuar como matéria-prima para essas operações que, de alguma forma, trazem proximidade e estranhamento. De um modo geral, há uma síntese de unidades, o que reforça sua presença corpórea.

Roberta Tassinari

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Rafael Santacosta, nasceu em 1983 em São Paulo, onde vive e trabalha, bacharel em design de moda pela Universidade Anhembi Morumbi (2005), também cursou artes visuais na FAAP, participou de cursos no MAM-SP, Escola São Paulo e na London University of the Arts. Seu trabalho busca a interação entre pintura e objeto, e como essas mídias se entrelaçam e sobrepõem em suas obras. Partindo de materiais dispensados, Rafael cria uma colagem entre telas, madeira, blocos de concreto, diferentes tintas, entre outros objetos cotidianos que fazem parte de uma assemblage urbana, propondo assim uma ativação do espaço que o circunda.