Thiago Toes | luminar

As experiências com o ambiente e muito mais com a filosofia nos dias atuais, influenciaram Thiago Toes a nos apresentar uma multiplicidade de sentidos, de cores e de espectros do mundo, do universo.Nesta exposição, existem três informações que são, na realidade, partes da mesma intenção: de nos fazer imergir em um mundo mais doce, mais sutil e impactante. A forma colorida da lâmpada de LED gravada num vídeo nos dá indícios do que há por vir; me parece uma essência muito mais duchampiana de apropriação do próprio objeto LED (na verdade das luzes que ele produz) para provocar os sentidos, inclusive para se tornar meio hipnótico. Há a intenção de recriar algo que jamais pode ser recriado, mas que ao mesmo tempo nos informa da condição de majestade da sua própria vontade em representar algo como as cores de uma nova aurora. Nova aurora aliás, que se abre e se faz presente nos papéis que ele recorta, que cria um ambiente totalmente novo em sua pesquisa, se distanciando da prática da pintura em tela e experimentando novos suportes talvez mais frágeis. Quando a vida se torna mais frágil em tempos difíceis, Thiago nos proporciona delicadeza no sentido de pintar. Tudo é altamente delicado e majestoso, como a própria nova aurora que ele se inspira. A escultura que Toes nos traz é uma modelagem de seu próprio corpo, como se aquela armadura estivesse vazia, como se fosse uma herança de um tempo, de um momento, de uma vida passada; mas ela está aqui para lembrar que a máscara é também nossa, é divina e resplandece por dentro e por fora.A dinâmica aqui usada é altamente experimental, e o próprio conceito do lugar recebe isso de braços abertos. O experimento de Thiago é a sua constante reinvenção, quase como um ciclo de destruição e criação de uma nova estrela, para uma nova aurora.
Douglas Negrisolli