Carlos Medina | Mensurações de Variáveis Aleatórias

 

fotos Ivan padovani

 

A palavra mensurar na língua portuguesa pode ter dois significados. O primeiro refere-se a calcular a medida de algo. O segundo compreende ações realizadas em um ritmo mais lento. A prática artística de Carlos Medina emerge na somatória de ambos significados. O artista considera o ato de mensurar como um momento de questionamento e como um procedimento de criação para o seu trabalho.

As esculturas-maquetes da instalação Adaptação consistem em diferentes formatos de edificações. Todas são construídas a partir de um mesmo material: uma caixa de papelão e palitos de madeira. Propõem um discurso que parte de uma oportunidade (a caixa), mas ativa um leque de diferentes possibilidades de ações ou de transformações. Já, os micromundos da série de aquarelas Mundos Paralelos possuem delicados e minúsculos desenhos de outras habitações que sugerem combinações e opções de decisões realizadas ou não, coexistindo paralelamente.

Outros sistemas de probabilidades também emergem na instalação Valor Esperado. Nesta coletânea de sobreposições, há materiais coletados, manufaturados e produzidos pelo próprio artista. Ao observar-se calmamente todos esses elementos, percebe-se que estes aparecem em quantidades plurais de opções. Aqui Carlos propõe uma reflexão sobre o ato de decidir e suas possíveis variáveis. Entre a tentativa de escolher ou ser escolhido, o artista chama a atenção para o acaso desse tipo de mensuração. Ao retratar a multiplicidade das variáveis para uma opção, também relembra a subjetividade e a efemeridade de tal ato.

Entre as probabilidades da lógica, as pinturas da série Novos Horizontes observam a paisagem por uma perspectiva vertical. Os desenhos com demarcações geométricas sobrepostos nas mesmas pinturas indicam variáveis aleatórias de percepção de um momento específico do horizonte. Na mesma sala da exposição, a escultura Escamas oferece tridimensionalidade ao modo de ver as imagens produzidas por Carlos. A escultura também convida o público a observá-la de um ponto de vista diferente do tradicional ao não fazer uso de pedestal ou qualquer outro móvel para a sua exibição.

As ambiguidades entre o pensamento racional e a experimentação são indagações constantes nos trabalhos de Carlos. Entre o que pode ser controlado e o que não é, propõe uma reflexão que considera um estranhamento métrico. Na iminência do que, inicialmente, parecia tão exato, o artista, então, sugere contemplar, ponderar, mensurar…

Ananda Carvalho

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Carlos Medina é graduado em administração de empresas e trabalha como artista visual há 10 anos. Produz representações imaginárias de paisagens e ambientes, considerando a matemática e a ordenação como procedimentos de criação. As ambiguidades entre a lógica e a experimentação são questionamentos constantes em seus pro- jetos que consistem em pinturas, instalações e esculturas. Entre as exposições coletivas que participou destacam-se “1a Exposição do Programa Exposições
2016 do MARP” (Ribeirão Preto/SP), “CONTRAPROVA” (Paço das Artes, São Paulo, 2015), 41a SARP – Salão de Artes Visuais de Ribeirão Preto (Ribeirão Preto, 2016) e 23a Salão de Artes Plásticas da Praia Grande 2016 (Praia Grande, 2016).