SUBSTÂNCIA | Exposição de Jorge Medeiros | Projeto Mesmo Lugar e FRAGMENTOS de Mário Netto

 

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Nesta exposição nos deparamos com objetos e elementos que, transformados pelo artista, nos induzem a uma reflexão interna, pessoal. Alguns lembram inocentes brincadeiras da nossa infância, outros são materiais básicos da natureza e objetos utilitários. Nas fotografias, a mão inerte apresenta-se como mediadora de um ato que não se consome, entretanto pode sugerir uma profecia ou uma memória capaz de disparar emoções. As palavras, recortadas em papel, insinuam códigos inconscientes e mensagens ocultas, questionando o nosso entendimento com o mundo e com nós mesmos. As “substâncias” aqui apresentadas circulam na ambiguidade de seus potenciais de vida e de morte, e ainda que transformadas, carregam seus dados originais, existindo com toda sua presença. Jorge nos leva a uma viagem ao interior de nós mesmos através de elementos que, como substâncias vivas, relacionam-se com o espectador, que deve entregar-se com total imersão a este universo fantástico.

                                                                                       Alexandra Ungern-Sternberg

 

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A memória afetiva e reminiscências da infância são a força motriz que alimenta a obra de Mário Ribeiro Netto. Criado em Catalão, interior de Goiás, ele traz no seu trabalho o universo familiar e a rica cultura da região, marcada pela religião e manifestações folclóricas, em especial, o congado.

Ainda criança, o artista teve uma experiência religiosa decisiva. Sobrinho de tia freira, participou, vestido de padre, de uma procissão que teve um grande impacto sobre a sua personalidade.

Tornou-se apaixonado pelo barroco e passou a pesquisar o assunto. Hoje, concentra acervo de peças sacras do século XVIII e XIX recolhidas ao longo do tempo. Além delas, possui objetos aparentemente comuns que adquirem status de arte depois de manipulados.

O interesse por objetos de simbolismo religioso se acentuou, após o artista descobrir o pernambucano José dos Santos – apontado como maior colecionador de arte sacra do Brasil. Engana-se quem pensa que Mário Ribeiro Netto é um devoto fervoroso. “Estou mais para o profano do que para o religioso”, costuma dizer, sem deixar de mencionar que cultiva a espiritualidade para além dos dogmas.

Sua paixão por juntar objetos e fragmentos de arte, como não podia deixar de ser, está conectada à infância e à influência paterna. O pai, comerciante, recolhia num grande galpão enorme variedade de itens, para depois revendê-los.

No galpão do pai, o artista conheceu ferramentas de marcenaria e construção que lhe aguçaram a habilidade manual.

Na exposição atual, composta por “santinhos” do Papa sobrepostos às gravuras, o artista põe em prática a proposta de traçar um fio condutor entre as imagens replicadas no cotidiano e o imaginário popular.

Se formos delinear o movimento estético que emerge do trabalho, podemos associá-lo a uma junção de impressionismo abstrato com pop arte. Não está entre as suas preocupações a representação figurativa do real, mas, sim, o gesto e o processo do fazer artístico.

Seus trabalhos, feitos a partir dos registros das placas de gravar, remetem aos desgastes e alterações do material pelo tempo, numa clara tradução da memória afetiva do artista.

Por intermédio daquilo que viu, sentiu e viveu, ele faz uma ponte entre passado e presente, aproximando o menino que saiu de Catalão, do homem cosmopolita que se tornou.

 

 

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